Tradicionais, brinquedos educativos estimulam criatividade das crianças Mãe de Mogi das Cruzes usa brincadeira para filho autista se desenvolver. Especialista diz que é importante pais brincarem junto com as crianças.
07/10/2013

Na casa de Cyntia Fuga Borges, mãe de Lucas e Pedro, de 6 e 7 anos, as crianças vão ter uma rara oportunidade neste 12 de outubro. Vão escolher qualquer brinquedo para ganhar no Dia das Crianças. "No aniversário, Natal e Dia das Crianças eu deixo eles escolherem. Fora essas datas aí com certeza eu procuro dar os brinquedos educativos", conta Cyntia. Os meninos ainda não sabem o que pedir, mas já deixaram de lado os bonecos de super-heróis e estão se divertindo com pintura, jogos de leitura e desenho. “Nos brinquedos educativos eles mexem com pião, com bola, com corda. Eu imagino meu pai brincando com tudo isso. Desenvolve a criatividade neles. É diferente do brinquedo pronto em que é meio limitada a brincadeira”, afirma.

O gosto dos filhos de Cyntia por esses brinquedos começou com um desafio. “Quando meu filho mais velho tinha 3 anos eu conheci uma loja em Suzano. A minha mãe comprou uma caixinha que era para montar uma bicicleta. Para a idade dele era dificil, mas ele tentava e a gente achou interessante. Eles adoram pintar e desenhar e curtiram bastante”, conta.

Os meninos também tem outras preferências, como os eletrônicos. “Eles gostam de videogame também, de arte, mas é sempre um interagindo com o outro”, diz Cyntia.

A psicopedagoga Marta Morgado Pereira Valente explica que a diferença entre o brinquedo educativo e o eletrônico está na interação da criança com o objeto. "Quando o brinquedo é muito pronto a criança não desenvolve muito a criatividade nem a maneira de brincar. Se for uma criança muito pequena, ela brinca por imitação, imitando o que o brinquedo responde", afirma.

Marta reconhece que os videogames têm seus méritos. "Eles também desenvolvem habilidade motora e habilidade visual". Contudo, ela faz um alerta. "Nao tem problema a criança brincar com jogos eletrônicos, o problema é o tempo que ela passa com isso." Outro ponto importante é dar à criança um brinquedo adequado à sua idade. "Muitas pessoas não se preocupam com a faixa de idade do brinquedo. A criança de 2 e de 3 anos não vai usar o brinquedo da mesma maneira que a de dez anos faria. É importante os pais verificarem qual é faixa etária dos brinquedos. Também tem que brincar com a criança. O tipo de brinquedo não importa. O que importa é o quanto o brinquedo será usado para interagir com a família e as pessoas ao redor", conclui a psicopedagoga.

A psicóloga da educação Tatiana Platzer do Amaral concorda com esta tese. “Quando se compra brinquedo educativo para crianças de até 10 anos sempre vai necessitar de uma pessoa que interprete regras, ajude a entender como funciona. Tem que tirar a ideia de que só dar o brinquedo educativo já resolve”, afirma.

A especialista explica o que é considerado um brinquedo educativo. “Todo brinquedo tem um caráter educativo. Há alguns brinquedos que são pensados para trabalhar determinadas atividades, desenvolver competências nas crianças de maneira mais direta, sempre qualitativamente. O que importa não é a rapidez, é a qualidade do desenvolvimento da criança”.

Entre os exemplos de brinquedos deste tipo estão quebra-cabeças, blocos de montar e jogos de memória. Os preços variam bastante. Em uma loja especializada de um shopping em Mogi das Cruzes há brinquedos de R$ 7 (pião) até R$ 500 (casa de bonecas).

"O brinquedo tem que fazer sentido para a criança. E não esquecer que um bom estimulo é fundamental. A criança tem que conviver com um estímulo da parte afetiva, social, cognitiva e o desenvolvimento fisico dela também. A interação com o adulto ou com uma criança que sabe mais do que ela é fundamental para o desenvolvimento", acrescenta Tatiana.utismo
Quem sabe bem da importância de brincar com o filho é a comerciante Leticia Sthefane Roriz Ernica. Ela é mãe de Allan, de 7 anos, que é autista e foi bastante beneficiado pelos estímulos dos brinquedos educativos. “O que melhorou foi a fala, porque até os 4 anos de idade ele não falava nada. Os brinquedos educativos têm as cores fortes, a madeira é fácil de manusear, ele gosta de encaixar. A gente brinca junto com o Allan. Tem um brinquedo que tem umas argolas, você joga as argolas para ele encaixar nos pinos. Eu falo, 'cadê o vermelho?' Agora ele fala: 'vermelho'. Para o Allan é fundamental ter alguém junto com ele, brincando”, explica.

Allan herdou parte dos brinquedos educativos da irmã Jéssica, hoje com 17 anos. “Comecei a comprar para a minha filha mais velha e guardei parte dos brinquedos. Ele gostou dos de madeira e dos fantoches. Hoje ele também brinca com um que é de encaixar números. Na escola pedem brinquedos educativos, assim como a fonoaudióloga”, conta.

Os brinquedos educativos - muitos deles antigos, do tempo da infância dos avós das crianças de hoje - conseguem até tomar o lugar de suas versões modernas. “Meu pai comprou um pião para o Allan e ele deixou os 'beyblades' de lado”, conta Leticia, referindo-se a uma versão moderna e feita de plástico do antigo pião de madeira.

Além de Allan, Letícia também tem em casa outra criança, a bebê Bruna, de apenas 6 meses. Ela também já está recebendo os estímulos dos brinquedos educativos. “Eu estou apresentando para a Bruna só fantoches por enquanto e ela ama. Eu estou brincando com ela. Os brinquedos didáticos são simples. Essa é a graça”.

A psicóloga Tatiana lembra que é importante a criança viver uma fantasia, mesmo que esteja sozinha enquanto brinca. “Uma criança só vai aprender a chutar bola se alguém chutar bola com ela. Depois, ela vai chutar a bola sozinha e imaginar que tem o Rogerio Ceni no gol. Essa fase da fantasia é muito importante”, conclui.

Veja mais notícias
Projeto Orquestra Cidadã // Começa temporada de concertos na caixa cultural 22/11/2012

Ontem (21) foi dia de concerto público da Orquestra Criança Cidadã. O show foi o primeiro a ser realizado com o apoio da...

Utilizar chips para controlar frequência na escola fere o ECA, diz especialista 14/11/2012

Desde o dia 22 de outubro, os uniformes da escola CEM (Centro de Ensino Médio de Samambaia) 414, no Distrito Federal, nã...

Vencedora do Prêmio Escola Referência Brasil é de Pernambuco 07/11/2012

O Brasil acaba de conhecer a escola referência em gestão escolar do País: é a Escola Estadual Tomé Francisco, de Pernamb...

Caixa renova patrocínio da Orquestra Criança Cidadã 01/11/2012

A Caixa Econômica Federal (CEF) renovou, na última sexta-feira (26), o patrocínio do programa Orquestra Criança Cidadã d...

Editora FTD convida estudantes para participar de Concurso Cultural 25/10/2012

Com o tema “Os vários sentidos da cultura brasileira”, concurso promovido pela Editora FTD será realizado até 30 de nov...

Meninos participam de gravação de DVD da cantora Marina Elali 24/10/2012

Noite de estrelas da música. Os meninos da Orquestra Criança Cidadã participaram da gravação do DVD Duetos, da cantora M...

Dia Mundial da Alimentação: brasileiros têm muito a comemorar 16/10/2012

Nos últimos três anos, cerca de dois milhões de pessoas saíram de situação de subnutrição no Brasil e poderão comemorar...

Orquestra Criança Cidadã comemora seis anos de sucesso com muita alegria 08/10/2012

Em noite repleta de alegria, a Orquestra Criança Cidadã Meninos do Coque, programa da Associação Beneficente Criança Cid...

Brasil tem 70% das crianças até quatro anos fora da escola 08/10/2012

Apenas 30,8% das crianças brasileiras de até quatro anos frequentam as escolas. Em Curitiba, 65,3% delas não estudam. Em...

Newsletter
zaite
Nós usamos cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência em nosso site.
Ao utilizar nosso site e suas ferramentas, você concorda com a nossa Política de Privacidade.

ABECC - Política de Privacidade

Esta política estabelece como ocorre o tratamento dos dados pessoais dos visitantes dos sites dos projetos gerenciados pela ABECC.

As informações coletadas de usuários ao preencher formulários inclusos neste site serão utilizadas apenas para fins de comunicação de nossas ações.

O presente site utiliza a tecnologia de cookies, através dos quais não é possível identificar diretamente o usuário. Entretanto, a partir deles é possível saber informações mais generalizadas, como geolocalização, navegador utilizado e se o acesso é por desktop ou mobile, além de identificar outras informações sobre hábitos de navegação.

O usuário tem direito a obter, em relação aos dados tratados pelo nosso site, a qualquer momento, a confirmação do armazenamento desses dados.

O consentimento do usuário titular dos dados será fornecido através do próprio site e seus formulários preenchidos.

De acordo com os termos estabelecidos nesta política, a ABECC não divulgará dados pessoais.

Com o objetivo de garantir maior proteção das informações pessoais que estão no banco de dados, a ABECC implementa medidas contra ameaças físicas e técnicas, a fim de proteger todas as informações pessoais para evitar uso e divulgação não autorizados.

fechar