Ressocializar jovens, um trabalho difícil Funase // Na unidade de Abreu e Lima, onde houve a rebelião, há 300 adolescentes, quando o número ideal seria 98, segundo a própria instituição
06/04/2010

Ontem, o agente socioeducativo Elvismar Soares dos Santos, 34 anos, morreu. O motivo: uma perfuração à bala no lado esquerdo da cabeça feita durante rebelião numa das unidades da Fundação de Atendimento Socioeducativo (Funase). O nome do suspeito? Ainda não se sabe. E é provável que fique assim - no anonimato para sempre. O tiro que acabou o sonho do novo emprego pode ter sido disparado por um adolescente interno do Centro de Atendimento Socioeducativo de Abreu e Lima. Elvismar trabalhava lá há pouco mais de um mês, recém-contratado de um concurso estadual. Sabia dos riscos, mas a família não esperava enfrentá-los tão cedo. A bala atingiu o agente na última quinta-feira, 1º de abril, causando o óbito ontem. Não era mentira. Elvismar morreu dentro do sistema que deveria ressocializar os jovens, a maioria entre 16 e 17 anos, pobre e que não frequenta a escola.

Até o início da noite, não havia chegado inquérito à sede da Gerência de Polícia da Criança e do Adolescente (GPCA), que ficará à frente do caso. As investigações foram iniciadas no plantão, durante o feriado da Páscoa, mas a arma do crime continuava desaparecida até o fechamento desta edição. A direção da Funase não revelou detalhes, preferiu silenciar. Aos familiares, restou a revolta. Ainda não houve tempo para perdão.

O corpo de Elvismar chegou ao Instituto de Medicina Legal durante a noite, mais de 12 horas após sua morte no Hospital da Restauração, onde permanecia internado desde a madrugada do dia 2. A liberação está prevista para ocorrer hoje, ao longo do dia, mas os familiares ainda temem que a "greve branca" do IML prolongue a dor e adie o enterro.

Juntamente com Elvismar, outro que até então era anônimo também será liberado. O corpo de um adolescente morto naquela rebelião e encontrado no mesmo dia deve ser entregue hoje para os familiares, estando no IML desde a semana passada. José David Bernardo de Almeida, 16 anos, teve uma morte cruel. Foi encontrado pendurado, todo queimado e com uma barra de ferro cravada no peito dentro do pátio da Funasede Abreu e Lima. Também morreu de morte matada e sem motivos para tamanha crueldade. De infrator, José David passou à vítima. O destino de muitos, geralmente pobres e também anônimos.

A Funase de Abreu e Lima abriga cerca de 300 adolescentes, quando o número ideal deveria ser 98 para a ressocialização. Elvismar e José David tiveram o mesmo destino num espaço público que deveria recuperar. Não deu certo para eles. Elvismar, em especial, não teve sequer tempo para tentar. Diz o amigo Alexandre Marcos dos Santos, 34 anos, que a vítima acreditava no trabalho que fazia. O desafio a enfrentar, contudo, era maior que ele e sua função de agente socioeducativo. Só no ano passado, as 20 unidades da Funase no estado receberam 7.547 jovens, sendo 94% do sexo masculino e 6% do feminino. A maioria dos adolescentes meninos e meninas infratores são da Região Metropolitana do Recife, ficando em segundo lugar o Agreste Central.

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